A dilatação pielocalicial pode ser detectada em 0,5 a 1% das gestações, sendo a anomalia fetal mais comumente encontrada. Pode estar associada com refluxo vesicoureteral e/ou obstrução alta ou baixa.
A patogênese da dilatação pielocalicial não é clara. Pode estar associada a uma obstrução transitória da pelve renal e do ureter, falha da canalização completa do ureter ou persistência da membrana ureterovesical.
Segundo a sociedade de urologia fetal devemos classificar a dilatação em 4 graus: normal (até 5mm do diâmetro ântero-posterior), leve (5-9mm), moderada (10-15mm) e severa (maior que 15mm).
Um estudo publicado no The Journal of Maternal-Fetal and Neonatal Medicine em setembro de 2009 fez uma análise do grau de dilatação com os achados clínicos pós-natal.
Segundo a comparação com a ecografia realizada no terceiro trimestre, dos 89 rins afetados, 20 tiveram alguma uropatia significante (22,5%) e a obstrução da junção pieloureteral foi a mais comum. Hidronefrose isolada foi vista em 37 rins (41,6%).
A sensibilidade da USG nos casos severos foi de 65% e a especificidade de 98,6%. Já nos casos moderados a sensibilidade aumentou para 95%, porém diminuiu a especificidade para 60,9%.
Nos casos severos 92,8% dos neonatos tiveram algum tipo de uropatia. Porém, uma vez somados todos os casos entre 5 e 15 mm esse número cai para 9,3%. Das 7 crianças que necessitaram de cirurgia, 6 tiveram diagnóstico pré-natal de dilatação pielocalicial severa e apenas 1 com diagnóstico prévio de dilatação moderada. Quatro tinham obstrução da junção pieloureteral, 2 tinham válvula de uretra posterior e 1 tinha refluxo vesicoureteral.
Em relação ao lado mais acometido (esquerdo ou direito), o estudo afirma, assim como outras análises prévias, a prevalência de hidronefrose e uropatias no rim esquerdo.
Metade dos casos de dilatação leve no terceiro trimestre tiveram avaliação pós-natal normal e a maioria (96%) daqueles com hidronefrose persistente tiveram apenas diagnóstico de hidronefrose isolada. Eles ressaltam com isso a utilidade da USG no terceiro trimestre para predizer a evolução pós-natal, evitando assim investigações desnecessárias em neonatos.
Concluíram que existe a necessidade de avaliação pós-natal nos casos de dilatação severa e que nos casos moderados ainda há uma alta prevalência de uropatias, porém raramente necessitam intervenções cirurgias. Já os casos leves geralmente não estão associados a anormalidades urológicas!