terça-feira, 29 de março de 2011

Dilatação pielocalicial


      A dilatação pielocalicial pode ser detectada em 0,5 a 1% das gestações, sendo a anomalia fetal mais comumente encontrada. Pode estar associada com refluxo vesicoureteral e/ou obstrução alta ou baixa.
      A patogênese da dilatação pielocalicial não é clara. Pode estar associada a uma obstrução transitória da pelve renal e do ureter, falha da canalização completa do ureter ou persistência da membrana ureterovesical.
      Segundo a sociedade de urologia fetal devemos classificar a dilatação em 4 graus: normal (até 5mm do diâmetro ântero-posterior), leve (5-9mm), moderada (10-15mm) e severa (maior que 15mm).
      Um estudo publicado no The Journal of Maternal-Fetal and Neonatal Medicine em setembro de 2009 fez uma análise do grau de dilatação com os achados clínicos pós-natal.
      Segundo a comparação com a ecografia realizada no terceiro trimestre, dos 89 rins afetados, 20 tiveram alguma uropatia significante (22,5%) e a obstrução da junção pieloureteral foi a mais comum. Hidronefrose isolada foi vista em 37 rins (41,6%).
      A sensibilidade da USG nos casos severos foi de 65% e a especificidade de 98,6%. Já nos casos moderados a sensibilidade aumentou para 95%, porém diminuiu a especificidade para 60,9%.
      Nos casos severos 92,8% dos neonatos tiveram algum tipo de uropatia. Porém, uma vez somados todos os casos entre 5 e 15 mm esse número cai para 9,3%. Das 7 crianças que necessitaram de cirurgia, 6 tiveram diagnóstico pré-natal de dilatação pielocalicial severa e apenas 1 com diagnóstico prévio de dilatação moderada. Quatro tinham obstrução da junção pieloureteral, 2 tinham válvula de uretra posterior e 1 tinha refluxo vesicoureteral.
      Em relação ao lado mais acometido (esquerdo ou direito), o estudo afirma, assim como outras análises prévias, a prevalência de hidronefrose e uropatias no rim esquerdo.
      Metade dos casos de dilatação leve no terceiro trimestre tiveram avaliação pós-natal normal e a maioria (96%) daqueles com hidronefrose persistente tiveram apenas diagnóstico de hidronefrose isolada. Eles ressaltam com isso a utilidade da USG no terceiro trimestre para predizer a evolução pós-natal, evitando assim investigações desnecessárias em neonatos.
      Concluíram que existe a necessidade de avaliação pós-natal nos casos de dilatação severa e que nos casos moderados ainda há uma alta prevalência de uropatias, porém raramente necessitam intervenções cirurgias. Já os casos leves geralmente não estão associados a anormalidades urológicas!

5 comentários:

  1. Meu bebê apresentou dilatação pielo-caliceal bilateal, sendo de 5,2mm à direita e 4,3mm à esquerda na USG de 22 semanas. Ao ler este esclarecimento sobre o assunto, fiquei mais tranqüila.

    Muito obrigada

    Silvia

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  2. Doutora, desculpe o incomodo. Sei que não existe e nem é ético diagnostico via internet. Queria só orientações.

    Minha enteada fez uma ultrassonografia e descobriram essa dilatação. Leve, mas acharam. Porem, ela tem incontinência e já tomou remédios pra isso, inclusive. Não é meio incoerente ?? Tem diversos exames feitos tambem. Ela tem 10 anos. Estamos meio perdidos...

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  3. Boa noite! Desculpe o incomodo. Neste momento estou precisando de orientações para que possa ficar mais tranquilo. A minha esposa fez ultrassonografia no período de gravidez e ficou diagnosticado que nosso filho tem uma dilatação no rim esquerdo medindo em torno de 8 mm. Com o passar dos meses foi aumentando esta dilatação. Após o nascimento, fizemos uma ultrassonografia nele e a dilatação estava em 11,6 mm. Agora o nosso filho está com três meses e a dilatação está em 17,6 mm. Até onde devemos nos preocupar? Já marquei uma consulta com a nefrologista pediátrica para nos orientar o que fazer. Hoje o nos orientaria a fazer ressalvando que estamos muito preocupados com esta situação?

    Obrigado

    Antonio Pereira

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  4. Doutoura li suas materias e vi que deve ser uma excelenente profissional. Te enviei um e-mail e aguardo ansiosamente um retorno.

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